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Património Edificado
Património Edificado

Capela de Nossa Senhora do Amparo

A capela de Nossa Senhora do Amparo está localizada no largo da pequena e característica aldeia de Toxofal de Cima, numa zona de interesse histórico, arquitetónico e natural. O templo faria parte de um pequeno convento, entretanto desaparecido, situado no casario com localização à esquerda.

É um templo renascentista, do século XVI, de construção rural típica nesta região. Possui alpendre de três águas sobre a porta principal e duas colunas em pedra ladeando a entrada, que ocupa quase toda a frontaria. Na inserção do alpendre com a construção principal ergue-se um pequeno campanário.

O interior é de uma nave, com teto de maceira e capela-mor de abóboda separada da nave por arco em cantaria de volta perfeita com vestígios de pintura policromática, característica da época. Uma curiosa escada, rústica e em pedra, dá acesso ao púlpito assente em pedra quadrada com balaustres de madeira negra torneados. O retábulo do altar-mor em talha dourada do século XVI ou XVII, envolve o trono de madeira encerada onde se encontra a imagem da padroeira, Nossa Senhora do Amparo, ladeada por São Sebastião e São Roque.

Na base do trono, um curioso sacrário de forma prismática faz parte do retábulo. Na nave, os dois altares laterais encostados à parede divisória da capela-mor possuem retábulos em talha dourada barroca, do século XVIII, e acolhem belas imagens de Santo Amaro - padroeiro da festa local que se realiza a 15 de janeiro - e de Santa Luzia. São de salientar as pedras trabalhadas incrustadas nas paredes das sacristias e uma outra imagem em terracota, monocromática, de Santo Amaro.

O culto a Santo Amaro, que aqui teve confraria, terá vindo da Galiza nos séculos XVI e XVII, quando milhares de galegos chegaram a Portugal em busca de trabalho. Enquanto alguns se fixavam em comunidades, como a dos Canteiros de S. Bartolomeu dos Galegos, outros palmilhavam o país carregando mercadorias. Eram profissões que exigiam grande resistência física e motora e, talvez por Santo Amaro ser o protetor das enfermidades dos braços e pernas, tornou-se venerado e celebrado em toda a região.