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PR3 - Pelos Caminhos da Batalha do Vimeiro

PR3 - Pelos Caminhos da Batalha do Vimeiro

Este percurso pedestre, em circuito, decorre na parte sul do concelho da Lourinhã, tem 17.600 metros de extensão e está marcado nos dois sentidos. Embora possa iniciar-se em qualquer local da sua passagem sugere-se que comece e termine junto ao Monumento Comemorativo do 1.º Centenário da Batalha do Vimeiro. Situado na parte alta da povoação, é fácil de localizar pelas várias placas de sinalização existentes. É por esta razão e pelo seu simbolismo que faremos a descrição do percurso a partir deste local.

Serão atravessados vários aglomerados populacionais de quatro freguesias, duas do concelho da Lourinhã - Vimeiro e Santa Bárbara e duas do de Torres Vedras Maceira e A-dos-Cunhados onde foram desempenhados papéis importantes no desenrolar dos combates então travados que opuseram o exército inglês, coadjuvado por algumas unidades militares portuguesas, comandado por Wellesley, e o exército invasor francês sob o comando de Junot, representante de Napoleão e detentor na altura do poder militar e político em Portugal.

Leaflet | Map data © OpenStreetMap contributors
Ficha Técnica
Modalidade
Caminhada (circular)
Ponto de Partida
Monumento Comemorativo do 1.º Centenário da Batalha do Vimeiro
Distância
17,6 Km
Grau de Dificuldade
Fácil
Época mais aconselhável
Todo o ano

PRIMEIRA ETAPA - 4,6 Km

(do Monumento ao Parque da Fonte Lima)

A Batalha do Vimeiro, tendo-se estendido por vários locais das redondezas, teve neste sítio o seu desenvolvimento mais emblemático e foi onde se travaram os confrontos mais renhidos. De um lado, as tropas inglesas, entrincheiradas na povoação e sobretudo no seu cabeço, que defendiam denodadamente esta posição de vantagem de modo a impedir o avanço inimigo e do outro lado, as unidades francesas que, apesar de terem envolvido a povoação por quase todos os lados, concentraram o grosso das suas forças no planalto que se estende para nascente e que a todo o custo pretendiam desalojar as forças aliadas das suas posições e obrigá-las a retirar.

Este monumento, erigido em homenagem aos vencedores da Batalha foi inaugurado precisamente 100 anos depois, perante muito povo, autoridades civis e religiosas da região, membros do Governo e dignatários da corte e pelo último Rei de Portugal, D.Manuel II, com grande pompa e solenidade como largamente foi noticiado na imprensa da época. Deixando a zona alta vamos descer até ao vale aberto pelo rio Alcabrichel e pela ribeira de Toledo a qual atravessaremos após terem sido passadas as últimas edificações do Vimeiro. Esta ribeira, assim como o rio, constituíram grandes obstáculos para a manobra do exército francês (iremos atravessá-la de novo mas em sentido contrário cerca de 6 Km mais à frente).

Caminhando na margem direita, quer da ribeira quer após a confluência, do rio e depois de atravessado este 2 vezes no espaço de 100 metros chegaremos às termas do Vimeiro e à povoação de Maceira. O rio Alcabrichel irá desaguar 2,5 Km adiante na Praia de Porto Novo, local de desembarque de algumas das tropas inglesas participantes na batalha. Foi na Maceira que se concentraram as tropas portuguesas as quais juntamente com alguns batalhões ingleses constituíram as forças de reserva, a grande maioria das quais não chegou a ser chamada a combate. Estas forças também estavam preparadas para, em caso de desaire, cobrir a retirada inglesa e permitir o seu embarque em Porto Novo em cujas imediações se encontrava uma esquadra inglesa preparada para o efeito.

Entraremos agora no apertado vale da ribeira de Ribamar, também chamada da Marquiteira e depois subiremos ao cabeço de Fonte Lima. Olhando em redor e relembrando o caminho percorrido, é fácil entender porque decidiu Wellesley posicionar-se nestes sítios: pelas vantagens da orografia com vales apertados, linhas de água difíceis de atravessar e sobretudo com as elevações do terreno muito favoráveis para as suas tropas caso fossem atacadas, como o viriam a ser. Para a nova tática de guerra britânica, a da "contraencosta", que consistia em colocar o corpo principal das tropas atrás de uma colina ou depressão do terreno de modo a escondê-lo do inimigo, a povoação do Vimeiro, situada numa encosta que termina num cabeço e as elevações e ravinas adjacentes constituíram para tal um excelente ensaio e contribuíram decisivamente para a primeira derrota dos exércitos napoleónicos em toda a Europa. Libertemo-nos agora das reflexões sobre a guerra e concentremos os nossos sentidos no magnífico Parque da Fonte Lima que iremos atravessar e onde, para além de um merecido breve descanso, poderemos admirar a sua inegável beleza e beber um pouco da boa água de nascente que aqui brota.

 

SEGUNDA ETAPA - 5,2 Km

(do Parque da Fonte Lima ao Casal da Falda)

O planalto onde se situam Fonte Lima e Ventosa que percorreremos de seguida foram palco de intensos combates entre o flanco direito dos franceses, formado pelas Brigadas Solignac e Brennier, e as Brigadas inglesas de Ferguson, Nightingale e Bowes. Estas, bem posicionados no terreno, repeliram com êxito os franceses que tinham tido muitas dificuldades em atingir estes locais e chegaram descoordenados e atrasados em relação às ordens de Junot, quando os combates principais já haviam terminado havia mais de uma hora, junto ao Vimeiro. Deixando a estrada de Pregança e abandonando o alcatrão, vamos descer para o vale da ribeira de Toledo que atravessaremos depois de ultrapassada a estrada municipal que liga o Vimeiro e Toledo à nacional Lourinhã - Torres Vedras. Subiremos agora a encosta na direção da Carrasqueira, local onde foi realizada a concentração das tropas francesas e dadas as últimas instruções de combate pelo próprio Junot. A ala direita, como já vimos, formada pelas Brigadas Solignac e Brennier, dirigir-se-ia a Ventosa, Pregança e Marquiteira. Ao centro marchariam as Brigadas Charlot e Thomières, a cavalaria de Magaron e a reserva de granadeiros de Kellerman. O flanco esquerdo era formado pela Divisão Delaborde, que concertadamente com o centro deveriam tomar o caminho mais direto para o Vimeiro, isto é: pelo planalto via Casais da Falda e da Gaga para que, perto da povoação, a pudessem envolver por todos os lados de modo a tomá-la e expulsar os seus defensores. Às 9 horas da manhã desse dia 21 de Agosto de 1808, foi dada a ordem de partida para a batalha.

 

TERCEIRA ETAPA - 3,6 Km

(do Casal da Falda ao Talefe)

O trilho em que agora seguimos na direção de Toledo foi percorrido em parte pela Brigada Solignac a caminho da Ventosa. Apenas entraremos muito superficialmente na povoação de Toledo, pois logo subiremos ao Casal da Gaga e daí às Estiveiras, onde se encontra o marco geodésico conhecido na região por Talefe. Daqui avista-se uma magnífica vista para quase todos os quadrantes, distinguindo-se perfeitamente a Oeste o alto do Vimeiro, com o seu casario, e o Monumento. Foi por aqui que tombou, mortalmente ferido, o coronel inglês Taylor, que comandava uma carga de cavalaria constituída maioritariamente por portugueses e que fora enviada a perseguir os franceses em retirada, após a sua infrutífera tentativa de tomada do Vimeiro. Estes conseguiram reagrupar a sua cavalaria e suster a muito custo a carga dos homens de Taylor, os quais estiveram bem perto de Junot depois de este se ter retirado apressadamente do seu posto de comando no alto das Estiveiras.

 

QUARTA ETAPA - 4,2 Km

(do Talefe ao Monumento)

No tempo das invasões francesas, todo este planalto e terrenos vizinhos estavam densamente arborizados, pelo que as vistas eram muito mais curtas do que hoje. Iremos descer até à zona dos Carrascais, local onde se posicionou a artilharia francesa para daí abrir fogo sobre as linhas inimigas e permitir o avanço da infantaria e da cavalaria. Partes deste caminho foram percorridos pela ala esquerda dos franceses, sobretudo alguns dos batalhões da Brigada Charlot, cuja missão era atacar as forças aliadas pelo sul. Já nos Carrascais, não tomaremos o caminho mais direto para o Vimeiro, antes infletiremos um pouco para norte a fim de passarmos, imediatamente antes das primeiras casas, pelo local conhecido como Lagoa em referência à "Lagoa de sangue" formada pelo sangue derramado pelas tropas francesas que, desesperadamente, procuravam em vagas sucessivas e em campo aberto tomar o cabeço e eram ferozmente repelidas pela artilharia e infantaria das Brigadas inglesas de Fane e Anstruther. Pelas 11 horas da manhã e depois de várias tentativas em que colocou todas as suas unidades em ação, mesmo as de reserva, tentando forçar a entrada no Vimeiro por vários locais, Junot, com as suas forças quase completamente desbaratadas, viu-se obrigado a retirar. Segundo os cálculos mais otimistas, terão tombado no campo de batalha, pelo lado francês, 450 homens, ficando feridos cerca de 1200 e tendo desaparecido ou sido feitos prisioneiros 350. No campo aliado perderam-se 123 vidas, 534 homens ficaram feridos e 51 desapareceram ou ficaram prisioneiros. Com esta significativa derrota e porque a situação já se estava a tornar insustentável para os franceses, com sublevações generalizadas e a parte norte do país, acima do Douro, completamente fora do seu controle, Junot enviou o General Kellerman de volta ao Vimeiro para negociar a paz com os ingleses, de que resultou a assinatura, a 30 de Agosto, da chamada Convenção de Sintra, altamente desfavorável para Portugal e em que os portugueses não foram sequer ouvidos e pela qual os franceses puderam regressar tranquilamente a casa, transportados por navios ingleses, levando todos os seus bens e os muitos valores provenientes dos imensos saques que levaram a cabo por todo o lado desde a sua chegada em 18 de Novembro do ano anterior. Terminava finalmente a primeira das três invasões francesas do nosso país ordenadas por Napoleão Bonaparte.

Percurso .kml
Folheto do percurso